Brasileiro de Pista - Velocidade Individual: Mancha o Rei dos 200 m Para muitos expectadores a prova de velocidade é um dos momentos mais emocionantes. Por ser um disputa entre 2 ciclistas, onde aquele que for o mais veloz nos ultimos 200 m vence a prova, nenhum dos competidores quer largar na frente. O ciclista que inicia o match na parte interna da pista é obrigado a conduzir a disputa no inicio da primeira volta. A saida geralmente acontece a passo de passeio, deixando por vezes aqueles que estão assistindo a disputa pela primeria vez sem entender muito bem o que esta acontecendo. Essa saída, geralmente lenta, acontece porque nenhum ciclista quer assumir a ponta ou deixar que o seu adversário abra o ataque por trás. Muitas vezes as táticas iniciais podem levar os ciclistas a dar a famosa "paradinha" se equilibrando sobre as bikes esperando que seu adversário tome a iniciativa. Isto faz com que os matchs de velocidade sejam muito emocionantes e imprevisíveis! Embora esta prova seja denominada de "Sprint" não se trata apenas de percorrer os 200 m finais no menor tempo. Trata-se basicamente de tática e coragem para forçar o seu oponentes a fazer exatamente o que voce deseja que ele faça. Na ultima volta, naturalmente, um dos competidores assume a ponta e a prova finaliza com sprints emocionantes. Cada match disputado é diferente do outro o que torna cada match especial. Os ciclsitas que disputam esta prova precisam ter, além de explosão e velocidade, muita habilidade e técnica.
A certeza da Medalha de Ouro
Após os excelentes tempo obtidos pelos participantes na etapa classificatória da prova de velocidade individual que abriu o campeonato brasileiro na tarde de quinta feira (19/11) ficou claro que os matchs prometiam muita disputa. Marcos Alcântara, o Mancha, impressionou a todos com a sua incrível marca de 10"987. Este ano, os três primeiros colocados fizeram tempos inferiores a melhor marca do ano passado, que também foi do Mancha: 11"317.
Depois da confirmação do resultado, Mancha teve a certeza que a medalha de ouro estava muito, muito próxima da sua mão:
“Eu bati a tomada de tempo com 10.987, já o segundo Vanderlei Gonçalves fez 11.08 e o Fernando meu companheiro de equipe fez 11.15. Depois da tomada de tempo eu já sabia que poderia ganhar a medalha de ouro. Para fazer uma boa tomada de tempo não é necessário o atleta estar bem preparado fisicamente já para os matchs se o atleta não estiver preparado não consegue recuperar mais entre uma serie e outra e eu tinha certeza de que ninguém estava treinando especificamente para a velocidade como eu”.
Economizando Forças: Em um match de velocidade tudo pode acontecer Quem acompanha a atuação do Macha nos matchs de velocidade fica impressionado com a sua confiança e segurança e tem sempre a nítida impressão que ele coloca a força necessária para ultrapassar o adversário, nem mais nem menos...
"É exatamente isso mesmo. Eu procuro economizar ao máximo minhas forças por que em um match de velocidade tudo pode acontecer, por exemplo: A velocidade geralmente começa em um dia e termina no outro e tem gente que no primeiro dia não esta tão bem quanto no segundo, então para não ter nenhuma surpresa eu procuro mesmo é economizar durante as series."
Os matchs
Mancha ganhou tanto as quartas (com Davi Romeo) quanto a final (com Fernando Firmino) por 2 x 0. Veja os comentários do Mancha:
"A primeira série com o Davi foi mais fácil já que ele me deixou conduzir toda a prova. Sabendo que meu adversário esta com um melhor tempo do que o meu, jamais eu deixaria ele conduzir, tentaria surpreendê-lo que é o que ele tinha que ter feito comigo. Na segunda série eu sabia que não precisava me preocupar em ele conduzir já que eu estava quase 300 milésimos mais rápido do que ele, quando ele arrancou, eu peguei a roda e comecei a ultrapassagem no inicio da reta oposta da chegada, quando estávamos na reta de chegada percebi que ele tinha desistido dai tirei o pé. Já a minha disputa com o Fernando foi mais fácil por que ele caiu na semi-final com o Vanderlei Gonçalves que é para mim o maior velocista que o Brasil tem nos tempos de hoje, peguei o Fernando muito desgastado por isso que não teve muita emoção nossa disputa"
Assista aos vídeos: Quartas de final (Mancha x Davi) 1ª série / 2ª série Final (Mancha X Fernando) 1ª série / 2ª série Resultado:
Nome
Equipe
1a Série
2a Série
Marcos Vinicius Correia de Alcântara
CESC/SUNDOWN/NCAIXA/CALYSO/MAXXIS/KURUMA
12'548
11'462
Fernando Ruiz Firmino
Davi Pantarolli Romeo
SUZANO/UNISANTANNA/GTK
Motivação e Objetivos Em conversa com o Claudio Diegues (atual técnico da seleção brasileira) ele me falou que para eu fazer parte da seleção eu teria que estar fazendo 10.50 na tomada de tempo da velocidade. Logo após ele me falar isso eu já tinha me conformado em nunca mais fazer parte da Seleção por saber que 10.50 é tempo de campeão Panamericano, o Cubano Herrera por exemplo Campeão dos Jogos Panamericanos do Rio em 2007 ele cravou 10.70 na tomada de velocidade no velódromo do Rio que inclusive é o record da pista nos 200 metros. Hoje, eu tenho grande esperança em atingir esta marca de 10.50 estabelecida por Diegues pela minha dedicação e pelos meus tempos que venho sempre baixando.
No ano passado eu fiz 11"317, vim para o Brasileiro este ano pensado em fazer pelo menos 11.10, fiz 10.90 e estou muito surpreso e querendo baixar cada vez mais.
Foto: Divulgação
Treinamento "Eu vinha treinando desde fevereiro visando exclusivamente os Jogos Regionais e Jogos Abertos de São Paulo que é o que hoje nos mantém vivo no ciclismo de pista e posso afirmar que sem estas duas competições o Brasil teria bem menos corredores de pista na área de velocidade. Hoje eu ganho muito bem por ser Tricampeão da Velocidade dos Jogos Regionais e Jogos Abertos e não por ser Campeão Brasileiro que inclusive para competir no Rio a grande maioria dos velocistas da Elite vieram por conta própria que é o meu caso e se um dia deixar de existir as provas de velocidade Individual e Olímpica nos Regionais e Abertos nós velocistas estamos completamente perdidos. Em relação ao treinamento, costumo treinar 2 ou 3 vezes com a bike de pista dependendo da quantidade de dias que faltam para uma competição e o resto dos dias faço treinamento com bike de estrada entre 2 e 3 horas sempre girando, descanso sempre na sexta-feira. Eu treino não só no velódromo de Caieiras como também faço treinamentos na rua com a bike de pista lembrando que onde treino aqui em São Paulo tem toda segurança, isso serve para os que estão começando a correr: Bicicleta de pista e trânsito não combinam, isso é importante lembrar."
Títulos
Mancha tem 26 anos e começou a competir na pista em 1999, no mesmo ano que saiu de Aracaju, sua cidade natal, e veio morar em São Paulo, exclusivamente para correr de bicicleta.
Mancha foi Campeão brasileiro de pista em 2001, 2004, 2005, 2008 e 2009 (Velocidade individual, Velocidade por equipes e Keirin) e é Tricampeão da Velocidade dos Jogos Regionais e Jogos Abertos de São Paulo.
Integrou a Seleção Brasileira de pista nos seguintes eventos: 1999 - Panamericano de pista em Esperenza-Argentina Categoria Junior 2000 - Panamericano de pista em Americana-São Paulo Categoria Junior 2001 - Estágio de pista pela Confederação Brasileira de Ciclismo em Bogotá-Colombia 2005 - Panamericano de pista Elite em Mar Del Plata-Argentina 2006 - Panamericano de pista Elite em Valencia-Venezuela 2007 - Jogos Panamericanos no Rio de Janeiro