É comum escutarmos falar o termo “de última geração” para um produto recém lançado no mercado.
Como seria com os velódromos? O velódromo do Rio de Janeiro é de última geração? Quantas gerações de velódromo já existiram?
Para comentar sobre as gerações, ou melhor, evolução construtiva de pista teremos que separar as pistas de madeira das demais.
Pistas de concreto ou asfalto são de difícil construção e com custo bem mais elevado. Lembrem que só estamos falando da pista, o que não inclui infra-estrutura, sou seja o Velódromo como um todo.
As pistas de madeira são mais facilmente moldadas tendo sua superfície perfeita, devido à flexibilidade da madeira. Desde o inicio de 1900 foram construídas pistas de madeira para eventos rápidos “six days race”. O custo do piso era tão baixo que após o evento a madeira era vendida para ser usada como lenha.
Basicamente as pistas são construídas com estruturas para sustentação do piso e o piso é feito com peças de madeira de 40x40 milímetros e 6 metros de comprimento.
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foto: Marcio Martinez |
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Amostra de uma ripa do piso do velódromo do Rio de Janeiro com 0,04 x 0,04 x 6 metros |
Por volta da década de 70, no século passado, começaram a surgir velódromos de compensado (polly wood). Esta técnica faz com que a construção seja bem rápida. Estes são os velódromos desmontáveis atuais.
Acredito estarmos na quarta geração de velódromos.
Definiria as gerações como sendo:
1º geração – Pista sem área de escape ou transição entre a pista e a Cote d’azur (nesta época sequer existiam as marcações na pista ou Cote d’azur).
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1º geração (foto obtida internet) |
1º geração e 2º geração em croquis. |
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2º geração – É criada a área de escape e a transição entre a pista e a área de escape era feita por uma aresta viva. A única marcação da pista era o que viria a ser a “corda”, porem sua função era de sinalizar a proximidade da chamada “dead’s man curve”. A aresta viva ficou conhecida como “dead’s man curve” o que pode ser traduzida como “curva do homem morto”, porem ,acredito que em português “curva da morte” seria melhor. Este nome foi dado devido ao grande numero de quedas que ocorriam na transição da pista e área de escape. Esta geração permaneceu por muito tempo, e a transição com a curva da morte existe até hoje, principalmente em pistas de compensado.
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Fotos obtidas na internet |
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2º geração |
2º geração – polly Wood |
2º geração – polly wood – velódromo small size século XXI |
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3º geração – A evolução da pista foi obtida a partir de princípios básicos de geometria, o que levou a uma transição suave e imperceptível. As marcações da pista passaram a ser definidas pela UCI, assim como as metragens oficiais para diversos eventos. A pista e cote d’azur tem a transição suave onde no espaço de 40 centímetros é feita passagem do ângulo máximo ao ângulo mínimo da pista sem ser percebido. No velódromo do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível tocar a cote D’azur sem perceber a diferença dos 44 graus (na curva) para 13 graus (no cote d’azur). |
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4º geração – Estarmos nesta geração, com técnicas requintadas de cortes dos suportes do piso, cálculos de geometria e projetos arrojados com inclinação diferenciada na entrada e saída das curvas. Acabamento do piso. A seleção de madeiras para o piso buscando o menor número de nós. Técnicas de reparo. Técnicas para fixar o piso utilizando martelo pneumático. Controle construtivo utilizando estação total. Geometria que favorece a quebra de recordes. Escolha da localização baseada em características climáticas, climatização das pistas, elevação etc. |
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Suporte do piso, cortes por programas do projetista (foto: acervo de Marcio Martinez) |
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Construção do Velodromo de Coney Island NY 1920
(foto da coleção de Bobby Walthour III) |
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Veja os croquis das 2º e 3º gerações e as ilustrações acima. Repare o ângulo, e a aresta viva formada na base, próximo ao pé de Bobby Walthour III (a criança) e comparem com a transição do suporte do piso da curva 1 do velódromo do Rio de Janeiro. Vejam a peça única no velódromo do Rio e as compare com a construção antiga onde diversas peças de madeira, algumas torcidas, para que fosse obtida a estrutura de fixação do piso. Imagine em uma prova por pontos receber um esbarrão que o deslocasse em direção a “curva da morte”.
Enfim, para encerrar respondo a pergunta sem resposta no inicio deste artigo.
O velódromo do Rio de Janeiro é de última geração?
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Pôr do sol no velódromo do Rio um mês antes do PAN AMERICANO 2007 (foto: Ieda Botelho) |
Sim. O velódromo do Rio de Janeiro é de ultima geração, tem o projeto de Sander Douma, tem o piso de pinho siberiano (premium), cujo corte foi momentos antes do inverno de 2007, teve tratamento anti fungo, o corte das estruturas foi feito por programa exclusivo do projetista. Teve recentemente seu piso lixado tirando qualquer desnível entre as ripas. Em seu projeto a velocidade estipulada para as curvas esta acima do recorde mundial atual. E um velódromo misto para poder abrigar toda e qualquer competição mundial, olimpíadas e campeonatos mundiais de ciclismo de pista.
Na primeira competição continental (PAN AMERICANO 2007) foram quebrados quatro recordes Pan-americanos.
- Perseguição individual feminino (na final pela Colômbia);
- Perseguição por equipe masculino (na qualificação do quarteto pela Colômbia);
- Perseguição por equipe masculino (na final pelo quarteto vice campeão Colômbia);
- Perseguição por equipe masculino (na filnal pelo quarteto campeão Chile);
O velódromo do Rio é um lugar mágico. Todo ciclista brasileiro deveria conhecer. |