A geometria de nossos velódromos permite menor força centrífuga, pois possuem grandes diâmetros nas curvas. Este tipo de velódromo tira o equilíbrio entre os competidores nos “mach” de 200 metros, criando desvantagem para o competidor que vem por fora. Por exemplo, no velódromo do Rio de Janeiro cada curva tem aproximadamente 90 metros e as retas somente 35 metros. Desta forma o ciclista que estiver a cima do corredor de sprint irá percorrer no mínimo 1 (um) metro a mais que seu oponente, ao final terá somente 35 metros para ultrapassar. Veja no mach de “Mancha vs Firmino” - Caieiras 2008 (fotos e vídeos) como o Mancha ganha terreno até a entrada da última curva a partir dai para de avançar pois ele estava bem acima do corredor do sprint.
Acima estão fotos de alguns velódromos do Brasil repare como todos possuem mais curva que reta. O achatamento ou “shape” é a relação entre a largura (x) e o comprimento (y) do velódromo. Os com x/y = 0,3 são chamados de charuto ou “cigar”. Estes são os velódromos ideais para disputa de 200 metros. Existe um equivoco de que velódromo melhor para 200 metros é o com grande inclinação nas curvas.
Imagine um velódromo com curvas de 60 metros e retas de 65 metros. Este velódromo ainda não seria o típico charuto, pois seu achatamento seria 0,368 com curvas de 19 metros de raio. Sua inclinação para velocidade de 60 km/h seria algo em torno de 56 graus.
Veja nas fotos como os velódromos de CONTAGEM e USP parecem ser charuto, mesmo com achatamento alto.
Com isso, nos velódromos no Brasil em disputas de 200 metros, quem não estiver no “corredor de sprint”, ao final da curva tem que estar cabeça com cabeça, caso contrário vai ser tarde demais.
Na próxima vou falar sobre a geração dos velódromos, evolução construtiva, o surgimento e o desaparecimento da “dead’s man curve”.
>>>Clique aqui para relembrar como se calculam os valores citados como exemplo.
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