CLAUDIA CARCERONI - 16 vezes campeã Mundial Master Mineira de Belo Horizonte, Cláudia Carceroni Saintagne, 46 anos, continua mais do que nunca na ativa. Dezesseis vezes campeã mundial, foi a primeira ciclista brasileira que participou de uma olimpíada, em Barcelona (Espanha), em 1992. Em 2000, a atleta participou da Olimpíada de Sidney (Austrália) junto com a ciclista Janildes Fernades. Teve também, uma participação no Tour de France Feminino, “É a recordação mais bonita que tenho”, relembra.
Sem reconhecimento no Brasil, há 16 anos Cláudia Carceroni trocou Belo Horizonte pela França, onde o ciclismo é o esporte mais praticado, com mais de 15 mil atletas filiados à Federação Francesa de Ciclismo. Lá, ela tem o reconhecimento que merece. “Tenho mágoa do Brasil. Lutei muito pelo país e não tive retorno. Sempre paguei para competir. Gostaria de ter sido mais valorizada. Nos Jogos Olímpicos de Sidney, por exemplo, tive que bancar tudo” desabafa.
Naturalizada francesa desde 1991, a ciclista mora em Montry, cidadezinha localizada a 30 km de Paris. Casada com o francês Christophe Saintagne, 48 anos, diretor do Centro Nacional Técnico de Ciclismo da França, Cláudia é mãe de Julien Carceroni Saintagne, 15 anos, que escolheu o basquete como esporte e a guitarra como instrumento musical. “Antes de Julien nascer, Christophe comprou uma bicicleta para ele, mas meu filho preferiu outro esporte. Nunca forçamos nada”, diz.
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Principais Conquistas:
Cláudia Carceroni sempre praticou esporte. Aos 12 anos começou a jogar vôlei pelo clube Mackenzie. Também praticou futebol de campo pelo Atlético Mineiro e atletismo. Seu ingresso no ciclismo foi com o triatlo, aos 23 anos. Depois de um tempo praticando o esporte, aos 24 anos Cláudia percebeu que teria melhores resultados se competisse só no ciclismo. Após três meses já estava no mundial da Austrália. Em 1988, foi convidada para treinar com a francesa Jeannie Longo, a ciclista que mais ganhou títulos no mundo. De lá para cá, a atleta vem colhendo os frutos do seu trabalho e dedicação. Na França, Cláudia divide seu tempo entre treinar, ser dona de casa, mãe e mulher. Para dar conta do recado, ela se excercita três vezes de segunda a sexta-feira. As terças e quintas-feiras são dedicadas à arrumação da casa, compras e trabalho voluntário, em que treina meninas de 6 a 14 anos.
Defendendo as cores do Brasil, Claudia Carceroni foi a primeira ciclista a participar de uma olimpiada (Barcelona 1992).
No ano de 1998 integrou junto com Carla Camargo Gardenal, Maria Lucilene da Silva (Lena) e Gilda Esteves, a equipe Brasileira Feminina de estrada, no Pan Americano de Ciclismo que aconteceu em Americana/SP. Nesta competição, Carceroni foi Bronze após resistir bravamente uma fuga de 3 ciclistas: ela e 2 do time dos USA: Karen Bliss-Livingston and Elizabeth Emery.
Em 1999, na primeira edição do Prêmio Brasil Olímpico, Claudia Carceroni foi eleita a melhor atleta da modalidade ciclismo de estrada. Em 2000 foi novamente convocada junto com Janildes Fernandes a representar o Brasil em Sidney. Participou de 5 campeonatos mundiais como Elite feminina (1987,1989, 1990, 1991 e 1996).
Atualmente, defendendo as cores da França, ela compete na categoria Master, em três modalidades distintas.
No Contra Relógio, prova individual de 20 km, em que a atleta chega à velocidades de até 45 km/h, tem seis títulos de campeã mundial. O último foi conquistado na Áustria em agosto do ano passado.
“É a categoria de que mais gosto. Costumo dizer que é a prova da verdade. Mostra quem é ciclista e quem não é”, explica.
Na Estrada ela já conquistou cinco campeonatos mundiais, todos ocorridos na cidade de St. Johann, na Áustria.
O Campeonato mundial Master é um evento aberto, qualquer ciclista federado pode participar. Acontece todos os anos na cidade de St. Johann, na Áustria, no mês de agosto. Para a cagoria feminina a distância da prova de estrada é de 40 km.
Na Foto, Claudia Carceroni chega no estilo que mais gosta: Escapada com 2 minutos de diferença a frente do pelotão. Este foi o seu quarto titulo mundial de estrada (2002, 2003, 2004 e 2006). Depois desse, ela voltou a vencer em 2007.
Em 2002 (quando obteve o seu primeiro título de campeã mundial estrada Master) ela tambem chegou escapada: 55.2 segundos a frente da inglesa Clare Greenwood. Este ano, Claudia conquistou o título de Vice-Campeã Mundial na prova de Contra Relógio e terminou em Terceiro lugar na prova de estrada.
Já no Cyclo-Cross, Cláudia também foi cinco vezes campeã mundial. A competição é realizada durante o inverno (entre os meses de outubro e janeiro) nos parques, jardins e estádios. As atletas enfrentam temperaturas que variam entre 7 e 8 graus.
“É uma prova muito intensa. Tem 30 minutos de duração e muitas curvas. O ciclista carrega a bicicleta, sobe escadas e tem que pedalar na neve. Nem dá para sentir frio. Tem que ter muita habilidade e técnica”, conta.
Animada e apaixonada pelo esporte, Cláudia não tem planos de se aposentar tão cedo. Segundo ela, o ciclismo faz parte da sua vida em todos os sentidos. “Fico cansada mesmo é quando não pedalo”.