Gimena Stocco – conheça essa atleta que sonha com a criação de um trabalho que valorize o ciclismo feminino em Americana Fotos: Acervo Gimena
O Início
Comecei a pedalar em agosto de 2000 e desde então meus treinamentos sempre foram em meio a homens.
Na época Estevam Mancini tinha acabado de abrir uma escolinha de ciclismo em Americana, onde crianças de ambos os sexos tinham espaço para pedalar.
No decorrer dos anos algumas meninas se interessaram, mas no meio do caminho acabaram desistindo.
Eu continuei treinando em meio aos meninos e apesar de sentir me sozinha tenho muito a agradecer, pois este convívio me trouxe técnica e visão de corrida que certamente me fizeram e fazem à diferença nos campeonatos que disputei e obtive resultados bons!
Meu primeiro jogos regionais Foi no ano de 2006 e consegui um 4º lugar suado em Bragança Paulista. Como única representante feminina, pude mostrar, com o meu resultado, o que esta categoria é capaz! E a secretaria de esportes se animou com a minha atuação e descobriram que o ciclismo feminino pode também marcar pontos para a cidade e ajudar Americana a ser campeã dos Regionais. Foi através dessa minha iniciativa que nasceu o ciclismo feminino na cidade de Americana!
Depois desta conquista, continuei competindo, mas sentia, apesar do carinho dos meninos, a falta de um trabalho que visasse os interesses do feminino, uma então Equipe Feminina.
Lesão e criação da UAC – União Americanense de Ciclismo
Em 2007 o ciclismo de Americana passou a ser comandado pela UAC – União Americanense de Ciclismo, eles me animaram com a idéia de uma equipe feminina, tão sonhada! Mas por cruel ironia do destino em novembro de 2007 me lesionei e fiquei afastada oito meses. Voltei nos jogos regionais de Rio Claro 2008 onde conquistei duas medalhas de prata ajudando a equipe com a 2ª colocação na geral.
O período que eu fiquei afastada foi muito difícil. Eu estava tão deprimida, a lesão me acarretou depressões e traumas tão grandes, que “malemá” ia pra faculdade. A vontade de treinar e de estar junto com as meninas era tão grande que o fato de não poder fazer o que mais queria por causa da lesão me deixou muito mal, ate o ponto de me afastar de tudo que me lembrasse ciclismo. Escondi minha bicicleta, fiquei meses sem ver minhas amigas, sem dar sinal de vida, sem saber NADA nem resultado nenhum das competições. Fugir foi à solução, afinal o que os olhos não vêem...
Quero deixar claro meu agradecimento, na época, ao Nelson Szwek por ter me levado a uma clinica de fisioterapia especializada para ajudar na minha recuperação e a própria UAC por ter mantido o meu salário, mas foram meses muito difíceis onde me senti sozinha e sem esperança. Vendo que a chance da participação de uma equipe feminina forte, representando a cidade de Americana nos jogos Regionais que se aproximavam, estava cada vez mais distante, pois nada estava sendo feito neste sentido, a equipe feminina estava abandonada. E não deu outra, as vésperas dos jogos regionais de Rio Claro eu fui procurada para fazer parte da equipe.
Medalha de Prata nos Regionais de Rio Claro Eu não estava ainda em condições de competir, minha lesão ainda não estava curada. Mesmo assim, em busca do sonho de ver pela primeira vez a participação de uma equipe feminina de Americana nos Jogos, eu reuni as meninas e começamos a treinar. O então técnico dos juniores na época, José Eduardo Urso se prontificou a nos ajudar sem receber nada em troca. Eu competi ainda lesionada, com muito medo de agravar a lesão que já se arrastava a oito longuíssimos meses. Mas valeu a pena, fui a única a conquistar importantes pontos para a equipe (2 medalhas de prata).
Depois, voltei a competir por Americana nos Jogos abertos de Piracicaba, em novembro de 2008, onde o meu pneu furou e fui auxiliada por uma equipe adversária que se sensibilizou ao ver um atleta precisando de ajuda e não tê-la.
2009 – Torneio de Verão – Momento da Mudança
Em fevereiro deste ano, no tradicional campeonato do litoral - O Torneio de Verão, eu não estava na minha melhor forma, mas a minha vontade de competir essa prova era enorme. Uma semana antes me disseram que a equipe feminina não iria alegando falta de verba. Fiquei indignada e disse que iria de qualquer jeito. A UAC pagou minha inscrição e peguei carona com eles no mesmo ônibus e fiquei na casa de uma amiga também atleta, e quero agradecer muito à Luzia pela força e pelo bom coração!
Minha equipe estava lá, com seus dirigentes e treinadores de Junior e elite. Mas senti como se não pertencesse àquela equipe, mesmo porque já não eram mais os mesmo meninos nascidos e formados na escolinha do Estevam. Acho que pela primeira vez, depois de todos estes anos junto a equipe de Americana percebi que não adiantava mais insistir.
Foi aí que percebi por mais que uma equipe se esforce em ter representantes em todas as categorias é difícil dar assistência, estrutura e o apoio financeiro necessário para categorias com objetivos tão diversos (elite, juniores e feminino), a menos que haja uma organização e empenho de todos.
Terminei o torneio de verão super orgulhosa por ter saído, na primeira etapa, numa fuga com 4 meninas em um pelotão formado por equipes fortes e eu ali, sozinha, única representante feminina de americana naquela fuga, lembrando que estava lutando contra meu psicológico abalado pela situação na equipe. Lembro como se fosse hoje e ainda me dói lembrar que perdi o 5 lugar por menos de meia roda, quando fui engolida pelo pelotão.
PLANOS ATUAIS
Projeto Segundo Tempo – Criação de uma Escolhinha de ciclismo Feminino
Hoje após 9 anos treinando e defendendo a cidade de Americana vejo que o ciclismo feminino não cresceu. Para que o ciclismo feminino de Americana realmente cresça é preciso que ele saia da “aba” do masculino. É necessário a criação de um projeto dedicado, com uma identidade própria com objetivos e metas especificas para a categoria.
Atualmente estou no projeto segundo tempo onde o secretário de esportes Mario Antonucci me deu a oportunidade de usar o velódromo e iniciar uma escolinha de ciclismo feminino. O projeto começou agora, e ainda esta em fase de implementação. A intenção é acolher todas as meninas que sentem vontade de praticar ciclismo, proporcionando então um espaço próprio para elas.
"Há mais pessoas que desistem, do que pessoas que fracassam" - Henry Ford