TRANSFORMANDO DOR EM VITÓRIA, por Aline Paroliz
A simpática ciclista Luciene Ferreira, 24 anos, já conta com a experiência de 11 anos de ciclismo e neste tempo viu o ciclismo feminino passar por grandes mudanças e evolução. Ela conta que ao longo dos anos o que mais a surpreende é o aumento do número de ciclistas, bem como o trabalho em equipe, quase inexistente há alguns anos atrás. “O ciclismo feminino está muito forte, tático e disputado”, afirma sobre as mudanças ocorridas nos últimos anos. Luciene conheceu o ciclismo através dos irmãos Elismar e Rosimar. Rosimar correu pela equipe de Sorocaba no ano de 2008, mas hoje corre para a cidade de Campo Grande, enquanto Elismar corre para Coxim, ambos com 12 anos de experiência no ciclismo. Desde cedo ela já apresentava aptidão para a velocidade quando praticava atletismo e disputava os 100 metros rasos. Praticou também futebol de salão antes de entrar para o mundo do ciclismo.
Convivendo com a dor
Em 2005, Luciene descobriu que havia contraído uma lesão em seus dois joelhos – a condromalácia patelar. A condromalácia patelar é uma lesão na cartilagem articular da patela (rótula) que produz dor e desconforto. Para continuar a treinar e competir, Luciene teve que conviver com esse problema.
Em 2008, 10 dias antes do torneio de verão quando participava de uma prova em Dourados, na categoria Open, sofreu um grave acidente, perdeu um pedaço de tecido da região do quadril e levou vários pontos. Este acidente, somado ao problema já existente, acabou por deixá-la de fora de algumas disputas importantes.
“Acredito que era pra ter sido assim, uma provação de Deus para aprender ter paciência e superar as fases ruins”.
A atleta conta que o que mais a incomodou foi o descrédito das pessoas em relação ao seu potencial e a superação da lesão. Ela contou com o apoio e amor de seu noivo o ciclista Magno Nazaret que nunca a deixou desistir.
"O Magno sempre acreditou em mim me animou e disse que eu era capaz e que não podia baixar a cabeça”.
Luciene ainda enfrenta algumas dificuldades, pois ainda continua sentindo dores. “Passei por um médico que me disse que as dores só iriam parar quando eu parasse de pedalar, do contrário tenho que conviver com isso e acostumar”. Ela conta que a pedalada não é mais a mesma, não sai mais “redonda” e as dores muitas vezes desestimulam os treinamentos, mas a menina é forte! Apesar das dores segue treinando e triunfando com vitórias!
Relacionamento
Ela relaciona muito bem com suas parceiras de equipe e com as adversárias também, afirmando que o respeito é o melhor caminho a ser seguido.
“Sei reconhecer quando cometo algum deslize com alguém, peço desculpas sim, acho que o respeito com a adversária é o melhor caminho a se seguir”.
Sobre o ciclismo Nacional a atleta reconhece o crescimento e competitividade nos últimos anos, porém ressalta que faltam provas como as “Voltas” que acontecem no masculino. No calendário feminino existem poucas provas neste formato. “Acredito que com mais provas do tipo “Volta” o ciclismo feminino poderia crescer e se desenvolver ainda mais”.
Além de muito talentosa, é uma garota que pensa no futuro. É estudante do curso de Educação Física. Porém os estudos não atrapalham sua rotina diária de treinos que ela afirma ser a mais específica possível, voltada para cada prova a ser disputada. E a fórmula está dando certo!
Momento Importante
A Volta do ABC de 2005 teve um significado especial para a carreira da atleta. Ela conta que estava numa fase muito boa, bem treinada e preparada, mas ainda faltava ganhar uma importante prova a nível nacional! Naquele ano estavam presentes na Volta do ABC duas grandes ciclistas, Débora Gehard e Rosane Kirch, que corriam na Europa e estavam no Brasil para algumas provas.
“Gelei, tremi, mas pensei em enfrentá-las de igual para igual. Elas dominaram a prova do começo ao fim, atacando o tempo todo. Eu saltei a prova toda e não estava agüentando mais. A prova foi disputada no sprint. A Débora trazendo a Rosane, só que eu consegui entrar na roda dela. Levou uma volta inteira. Na hora certa parti. Não é que ganhei a corrida! Nem acreditei! Foi uma corrida de superação e provação!”.
Parabéns Garota pela garra e determinação! Desejamos muito sucesso nessa e nas próximas temporadas!