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MARCELA ROSOLEN: Um Anjo no Brasileiro de Estrada

Mesmo sem saber, Marcela Rosolen foi para o Campeonato Brasileiro de Estrada, que aconteceu nos dias 27-28/06 em São Carlos/SP, com uma missão: Ser o Anjo da Guarda de 4 ciclistas que se envolveram em um acidente durante a prova de resistência.
Marcela contou que não se sentiu bem e decidiu abandonar a prova. Foi quando ela percebeu que havia acontecido um acidente e foi ajudar...

Foto: Divulgação

Acabei parando logo na primeira volta porque não me senti bem, depois que entreguei meu chip vi que tinha ambulância no circuito e como aquele caminho era o mesmo pra chegar até o meu carro, desci e vi que o carro de apoio da equipe de Campinas estava lá também, fiquei preocupada, fui logo querendo saber quem tinha caído.

A primeira pessoa que vi no chão foi a Naiara (da minha equipe) e uma poça de sangue do lado dela. Ela estava com o queixo cortado e estava com a pressão baixa. Olhei pro outro lado e vi a Rita (Sundown) imóvel e foi com ela que no final fiquei mais preocupada. Em pé estava a Elione, uma ciclista de Foz do Iguaçu, chorando e muito assustada. Olhei pro carro da equipe e vi que lá dentro estava a Viviane (atleta de Aracajú). Fui até lá pra ver como ela estava, aparentemente bem, mas depois começou a se queixar de dores no ombro e perna. Suspeitei que pudesse ser fratura na clavícula, ajudei-a a levantar e pedi para que fosse pro Hospital junto com as outras tirar uma radiografia. Levei-a até a ambulância e fiquei lá acompanhando o pessoal imobilizar a Rita. Antes mesmo de colocar as 4 na ambulância, fui até meu carro e segui para o Hospital (Santa Casa) junto com a esposa (Simone) do chefe da minha equipe para ajudar as meninas.

Cheguei lá uns 10 minutos depois e elas ainda estavam no corredor, esperando para serem atendidas. Por causa da demora, comecei a ficar "nervosa" e fui informada que havia somente um médico de plantão naquele momento. As meninas queriam ir para a Unimed, já que duas eram patrocinadas pela empresa, mas o pessoal disse que de qualquer forma elas seriam encaminhadas de volta para lá. Estava nervosa com toda aquela situação. A Naiara sangrava muito, a Simone teve que pedir algo para limpar aquilo tudo. A Elione não aguentava de dor, não tinha posição pra ficar, a Rita foi a primeira a ser atendida, foi tirar as radiografias enquanto aguardávamos o próximo atendimento.

Marcela Rosolen (Bike Fun), apoio fundamental no hospital

 Não tinha só a gente esperando, o médico ainda teve que entubar um rapaz que parecia estar morrendo e cuidar mais de dois ou três que chegavam. Ajudei a acalmar as meninas, tirei a sapatilha de uma, blusa de outra e o que elas fossem precisando eu estava lá.
 A Elione estava muito nervosa pela demora do atendimento, a Naiara estava deitava esperando alguém fazer a sutura no queixo dela, a Vivi estava com dor, mas era a mais tranqüila.

Logo chegou o resultado do rx da Rita, cabeça do rádio quebrado (perto do cotovelo), incrível foi ver o desespero dela por saber que não ia correr as 2 principais competições (Regionais e Nove de Julho). Atleta sofre demais por não poder participar de competições, muito mais do que a própria dor que está sentido por algo que quebrou. Tentei acalmá-la e o médico ainda disse que ela teve sorte porque a solução, na maioria desses casos, é cirúrgica. Ela entrou na sala e engessaram o braço dela e aos prantos ficou lá com a gente esperando as outras serem atendidas.

Logo fecharam a porta para fazer a sutura na Naiara que ficou deitada por um bom tempo, pois a pressão continuava baixa. A Vivi e a Elione foram tirar radiografias depois de tomarem remédio para dor. Ficamos lá aguardando os resultados e graças a Deus era só a dor da pancada.

Foto: Divulgação
Levei a Naiara, Vivi e Elione de volta para o circuito. Não consegui levar a Rita, pois não cabia mais no meu carro. Não sei quanto tempo mais ela ficou lá, sozinha. 
Uma pena para essas atletas que se prepararam tanto e logo no começo da segunda volta sofrerem uma queda. Uma pena também é constatar que o serviço de saúde no Brasil esta deficitário. Incrível ir até uma Santa Casa, encontrar apenas um médico de plantão e um serviço demorado.
Foto: Divulgação

Viviane Lourenço, conta como aconteceu o acidente:

"Quando abrimos a segunda volta, eu estava no meio do pelotão e antes de passar na parte que tinha bastante areia (logo depois viria a subida mais dura), fui mais para trás do pelotão porque fiquei preocupada de alguém cair na areia e eu estar por perto. Daí antes mesmo de chegar na areia, num local bem plano e sem qualquer obstáculo que pudesse provocar uma queda, a ciclista de São Caetano saiu do fundo do pelotão para se encaixar mais na frente, mas sem olhar pra trás ou pros lados...então bateu guidão com a ciclista de Campinas e as duas foram ao chão. Eu que estava logo atrás da atleta de Campinas, não tive escolha nem tempo de frear, pois estávamos em alta velocidade e acabei me envolvendo na queda também. A atleta do Paraná também caiu, porque não conseguiu desviar. Vi que outras meninas quase caíram também, mas por estarem localizadas mais nas laterais do pelotão conseguiram desviar pela grama ou para o outro lado da pista."

Viviane Lourenço (número 39) no pelotão do Brasileiro antes do tombo
 
Fotos

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