9 DE JULHO - Cobertura Completa das 20 Edições da Elite Feminina
Considerada a mais importante disputa do ciclismo nacional, a Prova Ciclística Internacional 9 de Julho esta completando a sua 66ª edição e a a 20ª edição Feminina. Alguns documentos mencionam o ano de 1985 como tendo sido o ano da primeira participação feminina...Entretanto, não foi encontrado nenhum registro sobre quem foi a atleta vencedora. Os registros existentes consideram sempre uma listagem de campeãs a partir de 1990, portanto essa é a 20ª edição Feminina que conhecemos as campeãs! Para entender a lista de campeãs, é importante primeiro conhecer um pouco da história da 9 de julho... Um pouco de História Em 1933, a 9 de julho foi inventada pelo Jornalista Cásper Líbero, hoje conhecido pela fundação Cásper Líbero, que engloba o jornal A Gazeta Esportiva. Foi uma homenagem aos paulistas que lutaram na revolução constitucional de 1932. Inicialmente, a largada e a chegada aconteciam na avenida Paulista. Em 1947 ganhou o título de Prova ciclística Internacional 9 de julho com a presença de argentinos e uruguaios. No final da década de 70, a competição teve um formato de 2 dias, com uma prova de estrada no sábado (de Campinas a São Paulo ou de Santos a São Paulo), com chegada no Velódromo! E no domingo, um circuito a noite na avenida Paulista. Depois desta fase, em meados dos anos 80, encontrando dificuldades para interditar a avenida Paulista, a prova mudou-se para um circuito ao redor do Parque Ibirabuera. Na década de 90, a prova ganhou um segundo endereço: o Campo de Marte. Nesta fase é que existe uma grande confusão. A prova 9 de julho passou a ter duas edições por ano: uma em julho e outra em outubro - no Campo de Marte. Somente a partir de 1998, quando a data 9 de julho passou a ser feriado, é que a 9 de julho voltou a ser como antes...Na época, o presidente da Confederação Brasileira, José George Breve, o "passarinho" afirmou que: "A partir de 1998 a prova 9 de julho criada para lembrar o aniversário da revolução constitucional terá uma única edição, a ser disputada na cidade de São Paulo no dia 9 de julho, enquanto a Prova Cidade de São Paulo continuará a ser realizada no mês de outubro, para comemorar a semana da Asa". Hoje a 9 de julho é realizada em um dos principais palcos do ciclismo paulista, o autódromo de Interlagos. Confira quem foram as campeãs: Flávia Salvi (segundo a gazetaesportiva.net) foi a primeira campeã e venceu a 47ª edição realizada no ano de 1990.
Claudia Carceroni Saintagne - Tetra Campeã A segunda ciclista a vencer a 9 de Julho foi Claudia Carceroni, em 1991. Claudia é a ciclista que conquistou mais títulos - 1991, 1992, 2002 e 2004. Em 2004, Claudia veio ao Brasil em pleno treinamento para o campeonato mundial Master que acontece todo ano no mês de agosto na cidade de St. Johann, na Áustria "Vim para passar um mês no Brasil, volto para França para me preparar para o Mundial Máster na última semana de agosto na Áustria. A 9 de Julho é a prova mais bonita do Brasil, ganhar outra vez tem um gostinho especial e mostra que ainda estou em forma", disse Cláudia.
Neste ano, ela já vestia o uniforme com as cores de campeã Mundial Master, título conquistado nos 2 anos anteriores: 2002 e 2003.
Janildes Fernandes é Tri Campeã da 9 de julho, título conquistado em 3 edições consecutivas: 1998, 1999 e 2000. >>> resultado 55ª edição 1998 Janildes (camisa amarela) a caminho do seu primeiro título - 1998
Garra - Foi como a mídia definou o titulo conquistado por Debora na Edição de 2006. Na época, Débora Gerhard tinha apenas 21 anos e era a atual campeã brasileira de Contra-Relógio. Sua vitória foi fruto de preparação e garra da ciclista. Ele andou na frente o tempo todo, mas na penúltima volta a corrente de sua bicicleta escapou, mas ela não perdeu a esperança e ainda conseguiu cruzar a linha de chegada em primeiro, após um sprint bastante disputado. “Depois de tanto tentar, finalmente consegui vencer a 9 de Julho. Isso é muito importante para qualquer ciclista”, destacou. “Minha equipe me ajudou muito a conseguir isso e divido esta conquista com ela”, completou Débora, natural de Sapiranga, no Rio Grande do Sul, e que já defendia o time de São José dos Campos.
Edição 1993 - Carla Camargo Gardenal, A ciclista!
Carla é uma daquelas ciclistas que todo o pelotão sente falta. Ela venceu a 49ª edição no ano de 1993 mas foi presença assídua, na linha de largada e no pódio, de várias edições da 9 de julho. Leia o depoimento dela: "Na época em que eu venci esta prova, em 1993, era a prova mais importante do Brasil! Representava TUUUDO de bom! Competir com as melhores ciclistas do país, ver de perto quem são, como pedalam, qual bike, roupa, acessório, como fazem para vencer..."
"Eu, como novata, achava o máximo estar junto com as melhores. Vencer esta corrida era meu desejo. E venci! Como? Sabe quando os planetas alinham e tudo dá certo? Sabe quando você esta na hora certa, no lugar certo, no momento exato e com uma pitadinha de sorte? Claro, treinei certo, me preparei psicologicamente, fiz tudo que deveria fazer ate cruzar a linha de chegada em primeiro lugar. Foi tudo perfeito, parecia mágica. Ergui os braços como nos meus sonhos e realizei meu maior desejo como ciclista. Tinha apenas dois anos de ciclismo, era minha segunda 9 de julho, minha carreira estava começando... e bem! Com a vitória nesta prova surgiram propostas de patrocínio, a mídia divulgou bastante a prova nos jornais e tv. E para mim, em particular, gerou ânimo, entusiasmo, vontade de treinar mais e mais, e conquistar mais e mais provas e títulos... Ganhar a 9 de julho foi uma bençaão! Inesquecível e inexplicavel!"
A edição de 1995 fugiu a tradição de ser realizada na cidade de São Paulo e foi realizada na cidade de Indaiatuba, onde acontece a prova 1 de maio. Segundo reportagem publicada na revista Bici Sport, a falta de segurança e o descaso da organização com as mulheres marcaram a prova de ciclismo feminino. Por um erro inexplicável da organização os ciclistas da categoria masculina acabavam da chegar da volta de apresentação e reconhecimento do circuito quando as mulheres começavam seu sprint final. A organização ainda pediu para os ciclistas que aguardavam a largada da prova masculina, que abrissem uma brecha para as mulheres, mas isso nao foi suficiente. Todas tiveram que realizar o sprint espremidas num corredor de apenas 3 metros que lhes foi deixado de pista, atrapalhando as que tentavam ultrapassagem no final.
Na Edição de 1997 - houve uma inversão...
A 9 de julho, de julho, foi vencida pela Iêda Botelho mas quem levou o título foi a Alessandra dos Santos (foto ao lado) após vencer a "9 de julho" de outubro, no Campo de Marte.
A 54ª edição da 9 de julho aconteceu em santos, no dia 13 de julho. No dia 26 de outubro aconteceu a 55ª edição do Troféu 9 de julho, no campo de Marte, São Paulo (junto com a 3ª Prova Cidade de São Paulo). >>> resultado 55ª edição
Na prova feminina, um tombo no "S" do Senna impressionou mais pelo atendimento da ciclista que pela queda em si. A ambulância chegou prontamente, retirou a atleta da pista e a imobilizou com colete cervical antes de colocá-la na ambulância para dar o atendimento. Uma demonstração de muita eficiência na organização quanto à segurança dos competidores. Na chegada, Clemilda não conquistou seu primeiro título por muito pouco. Carceroni se tornou Tri-Campeã mas quem mais comemorou foi Debora Gerhard, com o seu 4o lugar.
A vencedora da prova 9 de Julho na categoria Elite Feminina, não foi uma esportista da modalidade. A triatleta carioca Ana Cristina Boccanera, venceu a 60ª prova 9 de julho debaixo de muita polêmica e causou surpresa e indignação no autódromo de Interlagos, local onde foi disputada a prova. Ela cruzou a linha de chegada poucos metros à frente da sua companheira, a também carioca Daniela Figueiredo Genovesi. Porém, o resultado foi contestado pelas adversárias, principalmente por Rosane Kirch, terceira colocada. A disputa estava acontecendo simultaneamente à prova da categoria Máster masculina, que imprimia um ritmo mais forte. Quando faltavam duas voltas para o final da categoria feminino, o pelotão Master ultrapassou as mulheres em plena reta dos boxes. Após isso, as duas primeiras colocadas continuaram com os homens e abriram uma vantagem enorme. Durante a prova todo o pelotão feminino e parte do público protestaram, acusando as líderes de se beneficiarem do vácuo. Houve abaixo assinado pedindo a desclassificação, mas a organização não acatou o pedido. No sprint do pelotão, a favorita Rosane Kirch venceu, seguida de Debora Gerhard.
A campeã se defendeu da acusação de ter pego o vácuo dos homens. "Eu nunca iria ganhar a prova deslealmente. O pessoal da prova masculina passou e foi embora. Eu e a Daniela seguimos os caras da moto", argumentou, referindo-se aos fiscais da corrida. Enquanto a dupla era escoltada pelos "caras" da moto outra moto segurava o pelotão feminino durante a passagem da master. Rosane ficou muito decepcionada com o ocorrido. Em entrevista para a revista Bike Action ela comentou: "Pena para o ciclismo que não viu uma disputa dentro da normalidade. A culpa foi da organização que não reprimiu a irregularidade no ato. Foi muito chato também para a Ana que venceu, mas acabou não tendo os méritos de suas colegas." Em protesto, as participantes subiram no pódio de costas para o público. >>> Resultado 60ª edição
O dia foi de tempo instável e alguns tombos nos momentos de chuva foram inevitáveis. A organização, no entanto, perdeu a chance de evitar outros acidentes e deixou a desejar na orientação dos ciclistas que terminavam suas provas. Como algumas baterias foram realizadas simultaneamente, os ciclistas das categorias que finalizavam seu percurso voltavam pela contra-mão da reta de chegada, o que trouxe muitos riscos de acidente para a categoria que ainda continuava correndo, já que passavam a mais de 40 km/h embaixo do pórtico estreito com uma massa de ciclistas vindo em sua direção, nem todos avisados de que outra corrida ainda acontecia. A mountain biker Érika Gramiscelli, teve que gritar com um dos ciclistas para evitar uma colisão de frente. A mesma sorte não teve a ciclista Luciene Silva que atropelou um ciclista que cruzou a pista sem olhar. Luciene caiu feio, teve o garfo de sua bicicleta quebrado, mas felizmente não teve ferimentos graves.
Edição 2007 - Luciene Ferreira Bicampeã A 64ª edição ficou marcada pela passagem da Tocha do Pan-Rio 2007. Marcos Mazzaron, que na época era o presidente da Federação Paulista de Ciclismo, foi o encarregado pela condução do símbolo dos Jogos Pan-americanos desde a raia olímpica da USP até o portão principal da universidade. Cercada de uma grande estrutura de segurança, a Tocha do Pan foi conduzida pelo trajeto, regada a fotos e tomadas de grande parte da mídia paulista que acompanhou o desfile sobre um caminhão imprensa . A cerimônia acabou por atrasar a competição em aproximadamente duas horas e foi presenciada por grande parte do público presente, além de atletas que ainda viriam a competir. Luciene Ferreira da Silva foi a campeã desta edição e venceu também a edição de 2005, no ano seguinte ao acidente que a retirou da prova.
Edições 2008/09 - Emoção em Dobro! O ciclismo feminino encontra-se em uma excelente fase com a presença de equipes estruturadas formadas por 3, 4 ou 5 atletas. Um ciclismo de peso merecedor do título de “Elite Feminina”.
O resultado desta evolução são eventos com maior participação de atletas e emoção garantida até o último momento. Foi o que aconteceu nas 2 ultimas edições marcadas pela atuação das equipes. Em 2008 a equipe de São Caetano do Sul garantiu os 2 primeiros lugares: com Camila Coelho em primeiro e Natália Santana em segundo. No ano de 2009, foi a vez da Scott: Debora Gerhard garantiu o primeiro lugar e Natália Santana o segundo. Coincidência? Não sei, mas um nome aparece nas duas duplas: Natália Santana. Mostrando que um bom trabalho em equipe é o caminho para o sucesso. Parabéns a todas as meninas da Elite Feminina que estão construindo a história do ciclismo nacional.
Confira aqui todas as campeãs