Colunistas

 

Lesão física ou psicológica?
(Primeira parte)

 As principais causas de lesão no esporte são: o excesso de treinamento ou o treinamento incorreto, sem orientação de um profissional capacitado. Porem, alguns fatores psicológicos também podem contribuir para a ocorrência de lesões. Como antecedente psicológico, que poderiam predispor a lesão, pode-se identificar: características de personalidade, comportamento e níveis de stress. As informações obtidas a partir do perfil psicológico do atleta podem fornecer um vasto material sobre o grau de tolerância à frustração, dificuldades de seguir regras, e ser disciplinado, fragilidade frente às situações de stress e/ou pressão.

Difícil falar de esporte de alto rendimento, sem falar das inúmeras lesões pelas quais estes atletas estão sujeitos, já que o nível de treinamento, e desempenho do corpo, é exigido ao máximo. Porem sabe-se, que repetidas lesões, algumas vezes em curto espaço de tempo, podem sinalizar que algo não esta indo bem, seja no treinamento, seja na concentração e dedicação, ou problemas na vida familiar, o que viria a refletir no seu desempenho.

Embora ainda não existam resultados de pesquisa consistentes, quanto à relação entre traços de personalidade e lesões esportivas, elas têm indicado que existe uma grande associação entre personalidade e ocorrência de lesões no esporte. Os profissionais que trabalham com esporte, devem procurar entender, as reações psicológicas dos atletas, e de que forma estratégias mentais podem contribuir para a recuperação de lesões.

A ligação entre lesões esportivas e fatores psicológicos esta intimamente relacionada ao stress.

Elevados níveis de ansiedade prejudicam a atenção, desviando-a do foco principal, aumentando a tensão muscular e abrindo espaço para pensamentos alheios, ao momento da competição. Esta situação deixa o atleta mais exposto a sofrer algum acidente, o que poderia vir a resultar em uma lesão. De maneira indireta, as lesões podem ser resultadas de treinamento incorreto, ou excesso de treinamento.

Profissionais que trabalham com atletas, devem ficar atentos a mudanças na vida destes atletas, que poderiam vir a interferir no desempenho e no treinamento. Neste caso, seria aconselhável iniciar um acompanhamento psicológico, com estratégias para aliviar as pressões externas que estejam interferindo no seu rendimento.

A idéia de que o atleta deve dar sempre o máximo, e suportar a dor, e que sem dor não há vitória, muitas vezes, leva o atleta a interpretar de forma errada estas informações, fazendo com que ele não de a devida atenção aos sinais do corpo, avisando que algo pode não estar indo bem. O atleta deve entender a diferença entre o desconforto e cansaço, como resultado de um intenso treinamento, e os sinais de que este cansaço e desconforto podem sinalizar um excesso, deixando seu corpo vulnerável a lesões.

Trabalhar com o corpo, sendo este o instrumento de trabalho, exige que se conheça e respeite os limites deste corpo/instrumento, fazendo com que o máximo e o melhor possam ser exigidos, sem que com isto, esteja se chegando a um esgotamento perigoso. Trabalhar com níveis de treinamento, em que o corpo é exigido a sua máxima potencia, é perfeitamente possível, e vem sendo feito com muita eficiência. Porém, para que isto aconteça, a consciência corporal, entendimento da carga de treinamentos e conhecimento dos limites deve fazer parte desta troca entre o atleta e a equipe técnica que o acompanha. Entender as características de personalidade do atleta será muito importante, para compreender de que modo ele poderá lidar com os momentos de ansiedade, medo e incertezas, que acompanham a mente do atleta.

Não podemos esquecer, de que a mente comanda o corpo, e se não houver uma conexão entre eles, o resultado pode ser muito abaixo do que poderia se extrair do atleta.

 “... Para muitas pessoas, não é que elas não sejam fisicamente capazes, é que elas desistem antes, em suas mentes...” (Terry Schneider, triatleta).

No próximo artigo, falarei sobre as respostas emocionais do atleta, diante de uma lesão.

Tânia Silveira
CRP 05/09814
Psicóloga Clínica
Pós-Graduada em Psicologia Aplicada ao Esporte de Alto Rendimento
Email:tania.sil@uol.com.br