Minha História, por Marcos Alcântara "Mancha"
Marcos Alcântara, “o Mancha” ganhou a sua primeira bicicleta, uma MTB, ainda garoto (foto a esquerda). A dificuldade e a técnica que o MTB exige, quase fizeram que o Mancha desistisse do ciclismo. Mais foi em 1996, quando o seu pai o presenteou com uma bike de estrada que ele definitivamente abandonou o MTB e seguiu para uma carreira de sucesso. Inicialmente começou a competir na estrada, mas foi na pista que Mancha realmente fez despertar o seu talento de velocista, sempre competindo nas provas de Velocidade individual, Velocidade por equipes e Keirin. Mancha foi 7 vezes Campeão brasileiro: Velocidade Olímpica - 2001; Velocidade individual - 2004, 2005, 2008 e 2009 e Keirin - 2004 e 2008. Foi Vice Campeão de Keirin em 2005 e 2009 e é Tricampeão da Velocidade dos Jogos Regionais e Jogos Abertos de São Paulo.
Atualmente, ele detém o recorde nacional na velocidade individual e se prepara para mais um desafio internacional: Defender as cores do Brasil nos Jogos Sul-americanos, que tem início na segunda quinzena de março. Conheça um pouco da história deste campeão Sergipano.
"Comecei a treinar e competir de MTB no Campeonato Sergipano por influência do meu irmão mais velho, quase desisti do esporte pelo MTB proporcionar muita técnica e sofrimento".
Fotos: Divulgação
1996 – O Início na Estrada "Ganhei uma speed do meu pai e definitivamente decidi abandonar o MTB, me filiei a Federação Sergipana de Ciclismo e comecei a disputar o campeonato na categoria estreante e logo fui me destacando ao longo da temporada nos sprints, consequentemente fui convidado a fazer parte da seleção daquele estado". "Passei a competir provas fora do estado de Sergipe com total apoio do meu pai. Minha primeira competição com a camisa da seleção de Sergipe foi a Copa Norte-Nordeste em Mossoro-Rio Grande do Norte que inclusive fui campeão geral na categoria cadete e logo em seguida fui vice-campeão sergipano também na categoria estreantes. Desde então meu pai começou acreditar em meu potencial e passou a investir pesado em mim, chegou até a vender um carro acreditando no meu sucesso".
1997 – Apoio do pai na tentativa de competir no Exterior
"Meu pai fez de tudo para me encaixar em uma equipe portuguesa, nas categorias de base, “sem sucesso”. Passei a competir varias provas nos estados da Bahia, Alagoas e Pernambuco no intuito de ganhar experiência, condição física e o campeonato Sergipano que tinha perdido no ano anterior. Fui campeão não só Sergipano como também Nordeste e Norte Nordeste na categoria cadete".
1998 – Primeiro técnico: Timóteo Rodrigues
"Meu pai desiludido em tentar me encaixar em uma equipe Portuguesa pela complicação e os gastos que não eram poucos passou a fazer contato com equipes Paulistas, a única equipe que deu atenção ao meu pai foi a equipe de Osasco que tinha o comando do técnico Timóteo Rodrigues que desde o primeiro contato com o meu pai passou a mandar planilhas de treinamento semanalmente via fax e como eu sempre fui fanático por ciclismo seguia a risca os treinamentos". "Fui mais uma vez campeão Sergipano na categoria Novatos e também Nordeste e Norte Nordeste na categoria cadete, no mês de julho eu recebi um convite do técnico da equipe de Osasco Timóteo Rodrigues para disputar o Campeonato Brasileiro de estrada em Goiânia, corri na minha categoria e consegui obter uma quarta colocação na prova de contra relógio, sexto na prova de estrada e décimo na resistência e o Timóteo gostou muito do meu desempenho e me fez um convite para integrar a equipe de Osasco no ano seguinte. No final do ano o Timóteo foi até Aracaju em Sergipe passar férias com seus familiares e aproveitou para fazer treinamentos como eu nunca tinha feito, desde treinamento de força até vácuo de moto que para mim era novidade".
1999 – O Início na Pista
1999 – Primeiro convite para a Seleção Brasileira
"Com mais o menos 2 meses de treinamento com bike de pista fui convidado pelo técnico da seleção Brasileira de Pista, que na época era o Gilson Alvaristo, a compor a seleção Brasileira para participar do Campeonato Panamericano de pista em Esperanza na Argentina". "Na temporada, mesmo com tanto sofrimento por estar longe da família e tendo que dividir um marmitex para dois ciclistas, consegui me superar mas, na verdade, a minha vontade era de compor a escolinha da peels de Iracemápolis que, na época, era a equipe mais organizada entre as outras, em se falando das categorias de base".
2000 – Primeiro Título paulista e Panamericano de Pista, Americana SP
2001 – Campeão Brasileiro de Velocidade Olímpica "Ainda na equipe Bike Theo Osasco passei a me dedicar mais a pista por conselho do então técnico Timóteo, mais uma vez fui campeão paulista de pista de velocidade e keirin na Sub-23 e também campeão brasileiro de velocidade olímpica junto com Robson Vieira e Rodrigo Gaston Amarilla com uma equipe mista Bike Theo Osasco e Audifar Guarulho, fui chamado pela Confederação Brasileira para fazer testes em Bogotá na Colômbia para saber se eu teria condições de ficar um período no centro Mundial na Suíça treinando com os melhores ciclistas do mundo ”não consegui passar nos testes".
2002 – Nova equipe, novo técnico, muito ainda a aprender... Deixei a equipe Bike Theo Osasco no meio da temporada e passei a integrar a equipe Audifar Guarulhos que tem o comando do técnico Ricardo Gava até hoje.
Por problemas de saúde não tive uma boa temporada e também por que a equipe tinha dois grandes velocistas Robson Vieira “Bodão” que me ensinou muita coisa de pista e o Argentino Rodrigo Gaston Amarilla então para eu poder competir às provas de pista eu tinha que torcer por um dos dois ficar doente “risos”.
2003 - O pior e o melhor ano da minha vida Fui convidado pela equipe Scott de São Jose dos Campos e, por ser a melhor equipe do Brasil, oferecer bons salários e uma estrutura de equipe profissional, logo aceitei o convite. Com o fechamento da equipe Pirelli de São Caetano do Sul consequentemente vários atletas de ponta ficaram sem emprego, foi onde eu posso dizer que me dei muito mal. O meu ex-companheiro de equipe Robson Vieira foi um dos que ficou desempregado e como eu era um atleta em crescimento e para a equipe Scott é muito mais fácil contratar um atleta já de nome eu fui dispensado pelo técnico Jose Carlos Monteiro, que não tenho nenhum ressentimento por ter sido descartado por ele, talvez se eu não tivesse passado por isso eu não seria hoje quem sou perante o ciclismo de pista, fui convidado por Carvalho ex-técnico da Pirelli São Caetano a compor a equipe Pirelli São Bernardo do Campo. Neste mesmo ano despontei ganhando a resistência dos Jogos Abertos, ficando em terceiro na velocidade individual, terceiro na meio fundo e quarto no Km, no final terminamos com o titulo geral por cidade dos Jogos Abertos do Interior e por incrível que pareça ganhamos justamente da Scott e com apenas quatro corredores Rodrigo Mendieta, Sidnei do Santos, Benedito Tadeu de Azevedo Junior e eu contra os onze da Scott. Na foto ao lado, 3º lugar no campeonato brasileiro de Pista.
2004 – O reconhecimento
"Passei a ganhar 3 vezes mais do que ganhava em 2003 e fiquei muito conhecido no cenário nacional, fui convidado mais uma vez para compor a equipe Scott de São Jose dos Campos, não deu certo e continuei na Pirelli São Bernardo do Campo onde fui campeão Brasileiro pela primeira vez, na categoria Elite, nas provas de Velocidade individual e Keirin". 2005 – Acumulando mais títulos
"Ainda na Pirelli São Bernardo do Campo conquistei vários títulos para a equipe, fui campeão brasileiro novamente na Velocidade e vice no Keirin, novamente fui convidado pela equipe Scott para fazer parte do grande time, infelizmente não deu certo de novo".
2006 - Dificuldades em lidar com a pressão do sucesso "Esse sim foi o meu pior ano na carreira de ciclista, fechei contrato com a equipe Memorial de Santos, fiquei na equipe por menos de dois meses, ninguém entendeu nada! Acredito, que na época, eu ainda não tinha condições suficientes para aguentar a pressão que uma equipe de ponta nos proporciona. Desde o dia que cheguei a Santos eu não tive sossego, era entrevistas e mais entrevistas, todos diziam que eu iria ganhar os Jogos Abertos sozinho, enfim, foi muito difícil para mim e como eu ainda era muito imaturo, eu não fui capaz de suportar tanta pressão". "Acabei pedindo para sair da equipe Memorial de Santos e retornei para a equipe Pirelli de São Bernardo do Campo já que lá eu corria livre, sem nenhum tipo de pressão por parte do técnico. Com a vinda do técnico argentino Eduardo Trillini para treinar a nova equipe de São Caetano do Sul eu acredito que também foi um dos fatores que fez com que eu me dedicasse muito mais aos treinamentos já que não tinha mais a mesma facilidade de ganhar as provas de velocidade. Resultado, não ganhei nenhuma corrida e ainda por cima fui mandado embora da equipe".
2007 – No rumo certo com o técnico argentino Eduardo Trillini
"O que eu mais queria era treinar com o então técnico argentino Eduardo Trillini, fui convidado pelo Presidente da Federação Paulista para compor a equipe São Caetano do Sul que tinha o comando do argentino Trillini, passei a ganhar muito menos do que ganhava em São Bernardo, mas estava realizado por que estava treinando com um dos melhores técnicos da America Latina, ganhei todas as competições de pista, conquistei meu espaço dentro da equipe e voltei a brilhar". "Fui convocado para fazer parte da seleção brasileira de Pista no Pan 2007".
2008 – Evolução na pista
"Mais um ano com Trillini, um técnico muito exigente e muito frio ao mesmo tempo, sem duvida o melhor que já tive. Começou a aumentar as cargas de treinamento e fui evoluindo cada vez mais, esse foi mais um ano de muito sucesso nas provas de pista, não perdemos nenhuma". "Fui campeão Brasileiro pela terceira vez na velocidade individual e bi Campeão na Keirin".
2009 – Perda do Técnico Trillini, amadurecimento profissional e sede por melhoras “Tive uma noticia muito ruim por parte do Presidente da Federação Paulista de Ciclismo, Marcos Mazzaron "dono da equipe de São Caetano". Ele nos informou que infelizmente o técnico Trillini não iria mais fazer parte da equipe". Aquilo para mim foi como se o mundo tivesse caindo sobre a minha cabeça por que eu me dava muito bem com seus treinos e ele não precisava falar muito, era só eu olhar para ele para entender o recado além de me passar muita confiança, ele sem duvida é um técnico de primeira, não é em vão que ele fez um campeão mundial Cristian Leon".
"Por conta da noticia dada por Mazzaron decidi sair da equipe e fazer parte do time Scott, por causa da crise financeira a equipe não iria poder cumprir com o que havia me prometido em contrato, fiquei na equipe por dois meses e decidi voltar para São Caetano, passei a treinar com meu companheiro de equipe Fernando Fermino que é formado em educação física e fez mestrado na Unicamp".
2010 - O início de um novo ciclo
Logo após o Campeonato Brasileiro fiquei por três dias em casa sem fazer absolutamente nada quando decidi ligar para o Fermino e decidimos iniciar a minha base fazendo academia já que a maioria dos grandes velocistas de ponta faz e até então todo o meu treinamento de força era baseado em treinos na bike. Hoje me considero um atleta maduro que tem os seus objetivos bem definidos. O que eu mais quero é poder melhorar as minhas marcas e representar bem o Brasil. Minha participação nos Jogos Sul-americanos será uma boa oportunidade para avaliar os meus avanços e um bom preparativo para o Campeonato Panamericano que acontecerá em maio, Aguas Calientes/Mexico.
De volta a seleção Brasileira de Pista Mancha, que já Integrou a Seleção Brasileira de pista nos seguintes eventos: 1999 - Panamericano de pista em Esperenza-Argentina Categoria Junior 2000 - Panamericano de pista em Americana-São Paulo Categoria Junior 2001 - Estágio de pista pela Confederação Brasileira de Ciclismo em Bogotá-Colombia 2005 - Panamericano de pista Elite em Mar Del Plata-Argentina 2006 - Panamericano de pista Elite em Valencia-Venezuela 2007 - Jogos Panamericanos no Rio de Janeiro
Foi novamente convocado para vestir a camisa da seleção nos Jogos Sul-americanos que acontecem na cidade de Medellin, Colômbia, entre os dias 18 e 21 de março. Mancha e os demais integrantes da equipe brasileira de pista estão desde o dia 1 de março treinando no velodromo do Rio de Janeiro onde permanecerão até o embarque previsto para o dia 15 de março. Assista ao Vídeo produzido por Tatiana Van Hemelryck durante os treinos da seleção Brasileira: 200 m Mancha x Vanderlei Gonçalves >>> aqui